Em fevereiro fiz um curso de Android oferecido pela Caelum em Fortaleza. Não, a Caelum ainda não criou uma filial em Fortaleza! Infelizmente…
Ela tomou uma iniciativa mais modesta de alugar espaços físicos de escolas de informática da cidade e enviam apenas o instrutor com material e certificados para lecionar nas turmas (criadas por demanda). O que é uma estratégia mais acertada para conhecer o mercado local (e até regional, já que na minha turma tinha alunos vindos de outros estados). O curso teve um valor considerado acima do que seria cobrado na região, mas trouxe a qualidade Caelum que fez valer a pena o investimento. Meu interesse pela plataforma só aumentou e adquiri um smartphone LG P500 para usar ao máximo o Android. Bem, não tive oportunidade de testar um iPhone como esse aparelho mas gostei do que vi até certo ponto.
Vejo que há limites a serem superados mas o principal benefício da plataforma Android são os aplicativos da própria Google que são integrados ao dispositivo que o suporta. Um que venho utilizando bastante, apesar de suas restrições como versão de teste, é o Google Googles. Este aplicativo recebe uma imagem como entrada e faz uma busca na internet de sites que contenham informações similares às obtidas a partir desta mesma entrada. Um dos testes que fiz foi tirar uma foto do livro Shape Analysis and Classification: Theory and Practice. Como resultado, o Googles fez a busca por todas as lojas que possuíam este livro em estoque e exibiu uma listagem dos preços encontrados.
Fiz outras buscas com materiais conhecidos e de alcance internacional como CDs, DVDs e outros livros em inglês. Deu tudo certo, mas quando parti para imagens de menor alcance (imagens de sites e/ou empresas brasileiras) o aplicativo não retorna quaisquer resultados. E o pior, deixava o usuário (no caso, eu
) esperando por muito tempo sem dar indicação se a busca tinha sido falha ou se o programa tinha travado. Neste mês, Google lançou um sistema de busca de imagens a partir de imagens, visto no link (veja o vídeo de demonstração). Na verdade, usou-se o portal do Google Images que já existia (e recebia dados de texto para pesquisar imagens na web) adicionando uma busca bem melhorada que a da ferramenta Googles e permite a entrada de uma imagem com um simples arrastar de mouse.
O Googles traz um banco de dados limitado para sua pesquisa, enquanto que o novo Google Images usa toda a web para alcançar seus resultados e em um curto tempo de resposta. Logicamente, toda busca por imagens possui um grau de dificuldade bem maior que uma busca textual. Esse é o sonho de consumo de todos os pesquisadores de processamento de imagens que trabalham com Recuperação de Imagens baseada em Conteúdo (Content Based Image Retrieval – CBIR). O primeiro passo é extrair as características da imagem e essa avaliação levará mais tempo quanto maior for a imagem de entrada. De acordo com o sistema de recuperação, várias características podem ser obtidas a partir de uma imagem: distribuição das intensidades dos pixels do objeto / fundo, pixel predominante, distância entre partes específicas da imagem, entre outras. Essas caracterísiticas são comparadas com as obtidas em outras imagens (normalmente armazenadas em um banco de dados) através de medidas de similaridade / dissimilaridade entre as mesmas. Daí avalia-se quais as imagens com maior / menor valores de medida de similaridade / dissimilaridade com a de entrada. Estas últimas são indicadas como as imagens similares e apresentadas no resultado da busca.
No caso do Google Images, o resultado alcançado não envolve apenas as imagens mais similares mas também os links relacionados àquela entrada. Nem sempre isso acontece, mas quando a imagem está ligada a um site/empresa então são identificados os links associados. Mesmo com este avanço, a ferramenta ainda possui limitações e que serão melhoradas ao longo do tempo. A complexidade deste tipo de pesquisa não está apenas na similaridade alcançada pelos resultados porque isso vai depender da aplicação que este processo está relacionado. Mas sim na semântica do retorno alcançado no sistema de busca. Atualmente, não adianta inserir uma imagem de uma pessoa envolto de árvores e querer como resultado final imagens da mesma pessoa em diferentes poses e ao mesmo tempo distintas da imagem inicial. As informações buscadas estão totalmente ligadas ao aspecto visual da entrada do sistema. Aos pesquisadores, o trabalho não parou! Sempre haverá necessidade de novas técnicas para agilizar esse sistema de recuperação de imagens e encontrar resultados mais convenientes à busca exigida pelos usuários, pertencendo ao Google Images ou não.












